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Escoliose Congenita

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ESCOLIOSE CONGÊNITA

O termo congênito refere -se a problemas que acontecem antes do nascimento.  Assim, a escoliose congênita é a uma deformidade devido a alteração na formação da coluna vertebral durante as primeiras semanas de gestação, mais especificamente entre a quarta e a sexta. As vértebras devem se separar (segmentar) nessa fase embrionária e quando algo afeta esse processo ocorre a escoliose congênita. 

Crianças com escoliose congênita podem apresentar desde alterações muito leves ou mesmo imperceptíveis, até deformidades complexas em mais de uma região da coluna.  A incidência estimada da escoliose congênita é de 1 em 1000 crianças. 

Como essa é uma alteração que acontece dentro do útero, é muito comum haver malformações em outros órgãos e/ou sistemas, como urinário e cardíaco.  Assim, toda criança que foi diagnosticada com uma escoliose congênita deve passar por um rastreio completo para excluir outros problemas.  O próprio sistema nervoso pode apresentar malformações como a medula presa entre outros.  Também recomendo uma avaliação com ortopedista pediátrico, uma vez que é frequente deformidades músculo – esqueléticas concomitantes como pé torto congênito e displasia do quadril. 

SINAIS E SINTOMAS

Muitas vezes não é fácil fazer o diagnóstico da escoliose congenita, pois como mencionado previamente, a deformidade pode ser bastante sutil. 

Em deformidades mais acentuadas ou quando a criança está em um estirão de crescimento, as alterações são mais evidentes. 

Os principais sinais e sintomas dos pacientes com escoliose congênita são:

– Desnivelamento dos ombros, com um lado mais elevado que o outro; pode também haver uma escápula mais proeminente 

– Torcicolo congênito ou rotação do pescoço com ou sem inclinação da cabeça;

– Costelas mais evidentes em um lado do tórax que no outro 

– Cintura assimétrica, com um lado mais elevado que o outro 

-Uma perna mais curta que a outra

DIAGNÓSTICO

Em muitos casos o diagnóstico pode ser feito ainda no período gestacional. Com a constante melhora dos aparelhos de ultrassom e dos profissionais, o diagnóstico no período pré-natal tem se tornado cada vez mais frequente. Entretanto, nem todas as malformações na coluna são possíveis de serem diagnosticadas ao ultrassom. 

Por isso, as radiografias continuam sendo o principal método diagnóstico para a escoliose congênita e a forma ideal para acompanhar a deformidade. 

Sempre que possível o raio x deve ser feito com a criança de pe ou sentada, mas é claro que em crianças muito novas isso não é necessário

Assim como nas outras formas de escoliose, a mensuração do tamanho da curva é feita pelo angulo de Cobb.

Uma vez diagnosticado a malformação vertebral e a consequente escoliose congênita, mais exames são necessários. 

A Tomografia computadorizadas é um excelente exame para melhor entender a malformação e avaliar se há fusão entre uma ou mais vértebras. Ele é quase que indispensável na decisão do tratamento cirúrgico.   Entretanto, esse exame acarreta uma dose de radiação considerável e dessa forma, o melhor momento de ser realizado deve ser discutido caso a caso. 

A ressonância magnética do neuroeixo (da cabeça e colunas – cervical, torácica e lombar) é muito importante para diagnosticar alterações cerebrais e ou medula espinhal. Assim, deve ser feita o mais precoce possível. 

História Natural

A pergunta mais importante e a mais difícil de responder é:

A escoliose (a curva) vai piorar com o crescimento da criança? 

Não é fácil prever a progressão de uma curva em uma criança com escoliose congênita. Isso pois a resposta depende de diversos fatores como: tipo de alteração vertebral, local na coluna dessa alteração, se é somente uma curva ou se são múltiplas, entre outros.

A alteração com maior risco de progressão é a chamada barra unilateral com hemivertebra. Pois nesse caso um lado da coluna está fundido e no outro há um fragmento de vértebra que pode crescer de forma desordenada

No outro lado do espectro, a malformação com menor risco de progredir para uma deformidade significativa são as vértebras em bloco, haja vista que se comportam como se 2 vértebras fossem uma só. 

Seguindo esse raciocínio, as malformações nas transições entre os segmentos da coluna, (entre a coluna cervical e a torácica, entre a coluna torácica e a lombar e entre a lombar e o sacro) tendem a trazer deformidades mais significativas.

TRATAMENTO

A informação mais importante sobre o tratamento da escoliose congênita que todo pai e mãe devem saber é que o tratamento deve ser individualizado para cada criança,  haja vista a gama de possibilidades descritas previamente. 

A seguir seguem orientações gerais para o tratamento dessa alteração tão complexa, mas lembre-se -se de tirar todas as suas dúvidas no consultório. 

As malformações congênitas, por começarem no início do desenvolvimento da criança, tem um potencial de causar deformidades graves. Dessa forma, um número considerável de crianças acaba precisando de tratamento cirúrgico. 

Em relação ao tratamento não cirúrgico, contamos com medidas auxiliares como fisioterapia, exercícios, alongamentos e até mesmo o uso de órteses.  Entretanto cabe destacar, que diferente da escoliose idiopática do adolescente, crianças com escoliose congênita não apresentam resposta satisfatória ao uso dos coletes, mas eles podem ser indicados para auxiliarem no controle das curvas compensatórias. 

A decisão cirúrgica leva em conta vários fatores, entre eles : 

  • Tipo de deformidade (como mencionado antes,  algumas malformações como a barra unilateral e hemivértebra tem grande risco de progressão) 
  • Localização da deformidade 
  • Idade da criança 
  • tamanho da curva 
  • Crescimento esperado pelo paciente 

 Dentre as opções cirúrgicas normalmente utilizadas se destaca: fusão in situ, excisão de hemivertebra com ou sem fusão e instrumentação, fusão com instrumentação, tutores ou hastes de crescimento por distração, osteotomias (cortes nas vertebras).

CONCLUSÃO

A escoliose congênita é uma alteração complexa que requer uma atenção especial, tanto por parte da equipe médica, quanto por parte dos pais.  

Um ponto muito importante é o diagnóstico precoce, que muitas vezes é difícil.

 O manejo da escoliose congênita é complexo e demanda uma equipe multidisciplinar altamente especializada. O diagnóstico precoce que permita uma intervenção efetiva e segura é a chave para o sucesso.

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