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ESCOLIOSE NEUROMUSCULAR

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ESCOLIOSE NEUROMUSCULAR

  • O que é escoliose neuromuscular :

 A escoliose neuromuscular ocorre em crianças que apresentam alguma condição que impedem a capacidade de controlar os músculos que suportam a coluna. Essas doenças podem acometer o sistema nervoso (causas neuropáticas) ou o próprio sistema muscular (causas miopáticas). 

Sem o suporte da musculatura pode ocorrer o desvio da coluna na medida que a criança se desenvolve 

  • Doenças que causam escoliose NM:

Existem diversas doenças que podem causar Escoliose neuromuscular.  Vou citar as mais comuns 

 Entre as causas neuropáticas : Temos a Paralisia cerebral como principal 

 Entre as causas Miopáticas:  destaco a distrofia muscular de Duchenne 

  • Sintomas 

Como é uma alteração causada por doenças sistêmica, os sintomas podem aparecer desde o inicio da infância. Mas assim como outras escolioses esses sintomas se tornam mais evidentes nos estirões de crescimento. 

 Assimetria de ombros, uma escapula mais proeminente que a outra. 

Costelas mais evidentes em um dos lados, 

Cintura assimétrica com um lado da bacia mais alto. 

Nas crianças que dependem de cadeira de rodas, pode haver alterações que dificultam os cuidados de higiene e também o próprio uso da cadeira de rodas. 

Alterações como a criança fica inclinada para um dos lados, desnível pélvico, dificuldade em sentar e podem aparecer ulceras de pressão.  Em casos mais avançado a criança pode precisar usar os braços para se equilibrar 

Essas alterações diminuem a independência da criança e tornam os cuidados do dia a dia, como alimentar e vestir muito mais difíceis.

  • Diagnóstico 

Como vocês já devem ter imaginado essa é uma doença que requer uma abordagem multidisciplinar.  

Na maioria dos casos o diagnóstico mais importante é o da doença de base o que nem sempre é fácil.  Para isso é importante a avaliação de um bom pediatra. além disso pode ser necessário um geneticista, fisioterapeuta entre outros. 

Para fazer o diagnóstico da escoliose, tudo começa com um bom exame físico.  É importante avaliar a postura do paciente, estado nutricional, exame das extremidades, presença de contraturas, e avaliar se a criança anda.

  • Raio x

O raio x panorâmico da coluna + rx da bacia são os primeiros exames que são solicitados. Com o raio x podemos ver qual tipo de cirurgia e qual o tamanho da curva.  Além disso também é possível verificar a obliquidade pélvica (o tanto que a pelve está inclinada).  Todas essas são informações muito importantes para o tratamento. 

 As curvas da escoliose neuromuscular tendem a ser diferentes das curvas da escoliose idiopática.  Nessa ultima, as curvas tendem a ser menores, afetando menos vertebras.  Na neuromuscular, como há um problema com todos os músculos da coluna, a curva tende a formar um c longo que envolve toda a coluna. 

 Além do raio x, outros exames podem ser solicitados e isso depende de caso a caso.  Podemos pedir ressonância magnética, tomografia, biopsia muscular, eletroneuromiografia, avaliação da função pulmonar e cardíaca, entre outros. 

  • Risco de desenvolver escoliose

Nem toda criança com doença neuromuscular vai desenvolver escoliose, essa alteração é mais prevalente naquelas crianças que usam cadeira de rodas.  Em algumas doenças a criança consegue andar quando é mais nova e acaba necessitando de cadeira de rodas na adolescência.  Como é na adolescência que ocorre o maior estirão de crescimento, essa é a época em que esses jovens apresentam maior risco de desenvolver escoliose ou de ocorrer piora de uma curva pré-existente 

 A probabilidade de uma criança desenvolver escoliose está diretamente relacionada com a extensão de nervos e ou músculos acometidos pela condição neuromuscular.  A tabela abaixo mostra que a incidência de escoliose aumenta quanto mais grave e a doença de base

  • Tratamento

Assim como mencionado previamente. O pilar do tratamento de uma criança com escoliose neuromuscular é uma abordagem multidisciplinar. O time de médicos deve contar com pediatras, ortopedista pediátrico, neurologista, urologista, pneumologista, nutricionista, gastroenterologista, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, entre outros. 

 Nesses casos o pediatra tende a ser o líder desse grupo, para coordenar e assegurar que cada aspecto do tratamento esta otimizado. 

 O tratamento para escoliose neuromuscular vai depender da idade do paciente, da doença de base assim como do tipo e tamanho (gravidade) da curva. 

  • Tratamento não cirúrgico:

Aqui vemos mais uma vez, diferenças entre a neuromuscular e a escoliose idiopática. 

 O tratamento conservador não previne que a curva da criança progrida, mas pode, pode retardar a evolução da deformidade e melhorar a qualidade de vida. 

Dentre as medidas não cirúrgicas vou citar: 

 Modificações a cadeira de rodas:  essa é uma das recomendações mais comuns. Se a sua criança tem uma pelve desequilibrada que afeta o alinhamento do tronco, a cadeira pode ser modificada para melhorar a postura.  Essas modificações têm que ser feitas sob medida para a sua criança. 

 Colete: para alguns pacientes em cadeira de rodas, pode ser recomendado o uso de coletes rígidos. Esses coletes podem ajudar na postura na posição sentada o que deixa os braços e mãos livres.  Vale enfatizar que os coletes não vão prevenir a progressão das curvas na escoliose neuromuscular (diferente da idiopática). 

Para os que tem capacidade de andar, o uso de colete pode aumentar a chance desses pacientes perderem o equilíbrio e caírem, principalmente se apresentarem fraqueza muscular importante. 

 Fisioterapia: Exercícios específicos realizados na fisioterapia podem ajudar no tratamento da fraqueza muscular e do desequilíbrio muscular entre os membros, e assim melhorar a função e independência dessas crianças

  • Tratamento cirúrgico

A indicação de cirurgia em pacientes que não comunicam nunca e fácil ou simples. para fazer essa indicação vários fatores devem ser levados em conta.  O tamanho da curva, o problema de base, o tanto que essa curva está afetando a vida da criança e afetando os cuidados.  Então para tomar essa decisão dependemos muito das informações que os familiares e cuidadores oferecem. 

 As indicações mais comuns para cirurgia são:

  • Curvas maiores que 45 a 50 graus em pacientes que ainda estão em fase de crescimento. 
  • Curvas maiores que 45 graus e que progrediram mais que 10 graus após a maturidade esquelética 
  • Dificuldade para sentar devido desequilíbrio da pelve 
  • Dor 
  • Problemas cardíacos ou pulmonares 

 Quando a cirurgia de estabilização da coluna e indicada, o nosso objetivo com a cirurgia é :

  • Estabilizar a curva e parar a progressão 
  • Deixar a coluna equilibrada e tentar nivelar a pelve e assim permitir que a criança sente melhor ou ande com mais qualidade (quando ela andar) 
  • Melhorar a capacidade pulmonar 
  • Reduzir dor 

 Existem várias cirurgias que podem ser propostas, mas cada caso e um caso e todo tratamento deve ser individualizado

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